20/07/15

Conheça as 20 metas do PNE - Plano Nacional de Educação

Olá, pessoal.


Vou apresentar neste post as 20 metas do Plano Nacional da Educação.


Planejando a Próxima Década

Conhecendo as 20 Metas do

Plano Nacional de Educação


[...]
A Emenda Constitucional nº 59/2009 (EC nº 59/2009) mudou a condição do Plano Nacional de Educação (PNE), que passou de uma disposição transitória da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) para uma exigência constitucional com periodicidade decenal, o que significa que planos plurianuais devem tomá-lo como referência. O plano também passou a ser considerado o articulador do Sistema Nacional de Educação, com previsão do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) para o seu financiamento. Portanto, o PNE deve ser a base para a elaboração dos planos estaduais, distrital e municipais, que, ao serem aprovados em lei, devem prever recursos orçamentários para a sua execução.

Diante desse contexto, não há como trabalhar de forma desarticulada, porque o foco central deve ser a construção de metas alinhadas ao PNE. Apoiar os diferentes entes federativos nesse trabalho é uma tarefa que o Ministério da Educação (MEC) realiza por intermédio da Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (SASE). O alinhamento dos planos de educação nos estados, no Distrito Federal e nos municípios constitui-se em um passo importante para a construção do Sistema Nacional de Educação (SNE), pois esse esforço pode ajudar a firmar acordos nacionais que diminuirão as lacunas de articulação federativa no campo da política pública educacional.


Meta 1: universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil em creches, de
forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de até 3 (três) anos até o final da vigência deste PNE.


Meta 2: universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência deste PNE.

Meta 3: universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 (quinze) a 17 (dezessete) anos e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85% (oitenta e cinco por cento).


Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.


Meta 5: alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º (terceiro) ano do ensino fundamental.

Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos(as) alunos(as) da educação básica.

Meta 7: fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB: 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental; 5,5 nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio.


Meta 8: elevar a escolaridade média da população de 18 (dezoito) a 29 (vinte e nove) anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 (doze) anos de estudo no último ano de vigência deste Plano, para as populações do campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% (vinte e cinco por cento) mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Meta 9: elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015 e, até o final da vigência
deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional.


Meta 10: oferecer, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) das matrículas de educação de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, na forma integrada à educação profissional.


Meta 11: triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% (cinquenta por cento) da expansão no segmento público.


Meta 12: elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% (cinquenta por cento) e a taxa líquida para 33% (trinta e três por cento) da população de 18 (dezoito) a 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% (quarenta por cento) das novas matrículas, no segmento público.


Meta 13: elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75% (setenta e cinco por cento), sendo, do total, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) doutores.


Meta 14: elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60.000 (sessenta mil) mestres e 25.000 (vinte e cinco mil) doutores.


Meta 15: garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no prazo de 1 (um) ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e III do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e as professoras da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.


Meta 16: formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos(as) os(as) profissionais da educação básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino.

Meta 17: valorizar os(as) profissionais do magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos(as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE.


Meta 18: assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de Carreira para os(as) profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de Carreira dos(as) profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal.


Meta 19: assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a efetivação da gestão democrática da educação, associada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto.


Meta 20: ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno Bruto (PIB) do País no 5º (quinto) ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% (dez por cento) do PIB ao final do decênio.

Para ler o texto completo, acesse: Conhecendo as 20 Metas.


Até o próximo post.
Abraço, Carla Melo.

17/07/15

Dica de filme: O Substituto


Olá, pessoal!

Hoje vou deixar uma dica de filme para vocês.
Filme: O Substituto
Sinopse:
Henry Barthes (Adrien Brody) é um professor de ensino médio, que apesar de ter o dom nato para se comunicar com os jovens, só dá aulas como substituto, para não criar vínculos com ninguém. Mas quando ele é chamado para lecionar em uma escola pública, se encontra em meio à professores desmotivados e adolescentes violentos e desencantados com a vida, que só querem encontrar um apoio para substituir seus pais negligentes ou ausentes. Sofrendo uma crise familiar, Henry verá três mulheres entrando em sua vida e vai começar a perceber como ele pode fazer a diferença, mesmo que isso venha com um alto custo. Fonte: Adoro Cinema
 
Gostou da história?

Para assistir é só clicar no vídeo abaixo. 











Até o próximo post, pessoal.
 Abraço, Carla Melo.

14/07/15

As fases e características no Processo de Aquisição da Escrita




Olá, pessoal!

Nesse post vou explicar sobre as fases e as características no processo de aquisição da escrita de acordo com os estudos de Emília Ferreiro e Ana Teberosky, através do livro “Psicogênese da Língua Escrita”.

O livro: “Psicogênese da Língua Escrita”, de Emília Ferreiro e Ana Teberosky não se trata de um método de ensino. O estudo das autoras é uma abordagem psicológica de como a criança se apropria da língua escrita. Também se costuma falar em níveis cognitivos, pois a palavra cognição diz respeito à aquisição de conhecimento. 
Na alfabetização o que se quer conhecer é a língua escrita e as aproximações são as tentativas de ler e escrever. É preciso ter em mente a necessidade da superação dessas tentativas para compreender a importância do significado da identificação dos níveis de construção da escrita e suas respectivas formas de intervenção, ou seja, do modo como o alfabetizador desafia o alfabetizando para que ele avance em suas hipóteses sobre a língua escrita. Para Ferreiro, (1999, p. 31):

A concepção de aprendizagem (entendida como um processo de obtenção do conhecimento) inerente à psicologia genética supõe, necessariamente, que existam processos de aprendizagem do sujeito que não dependem dos métodos (processos que, poderíamos dizer, passam “através” dos métodos). O método (enquanto ação específica do meio) pode ajudar ou frear, facilitar ou dificultar, porém, não pode criar aprendizagem. A obtenção do conhecimento é um resultado da própria atividade do sujeito.

Os níveis de construção da escrita correspondem à forma de expressão da hipótese que o alfabetizando tem sobre o funcionamento da escrita. De acordo com Emília Ferreiro, o aprendizado do sistema de escrita não se reduziria ao domínio de correspondências grafo-fonêmicas (decodificação e a codificação), mas se caracterizaria como um processo ativo no qual a criança, desde seus primeiros contatos com a escrita, constrói e reconstrói hipóteses sobre a sua natureza e o seu funcionamento. Os pressupostos dessa abordagem psicológica são:
  • O aprendizado do sistema de escrita alfabética não se reduz a um processo de associação entre grafemas (letras) e fonemas (sons).
  • O sistema de escrita alfabética não é um código que se aprende por memorização e fixação, pelo contrário, é um objeto de conhecimento que foi construído socialmente
Através dessa abordagem psicológica, veremos os níveis de construção de escrita:

Nível Pré-Silábico: este nível caracteriza-se por uma das etapas onde mais há transformações, no sentido de existir mais características. Logo no começo deste nível, a criança escreve somente por meio de garatujas, passando depois para uma escrita com desenhos e números, até chegar ao Realismo Nominal, caracterizado por uma etapa onde a criança representa o objeto, animal, pessoa entre outros, de acordo com o tamanho, por exemplo, se o objeto for grande, será representado por muitas letras, se for pequeno será representado por poucas letras, mas nessa etapa, a criança faz uso apenas das letras, a última característica deste nível, é a representação de toda e qualquer palavra com muitas e variadas letras. 

Nível Silábico: é nesse nível que a criança compreende que as diferenças das representações escritas se relacionam com diferenças sonoras das palavras. Também existe a tentativa de corresponder grafia e sílaba sonora, o que não exclui problemas derivados da exigência da quantidade mínima de letras. É o momento em que a criança faz a correspondência da escrita com a fala, à fase mais importante da alfabetização.
A criança descobre que as partes da escrita (suas letras) podem corresponder a outras tantas partes da palavra escrita (suas sílabas). A princípio, ela formula a hipótese de que cada letra ou sinal “vale” por uma sílaba. As grafias são diferenciadas sem que as letras tenham seu valor convencional. Existe duas características marcantes, a primeira é a etapa do silábico sem valor sonoro, as letras empregadas não pertencem à palavra escrita convencionalmente, o aluno, por exemplo, escreve as seguintes letras: “TED” para representar a palavra “cavalo”. A segunda característica é a etapa do silábico com valor sonoro, as letras empregadas pertencem à palavra escrita convencionalmente, classificam-se em: valor sonoro só com consoantes, por exemplo, o aluno escreve “BT”, para representar a palavra “bota”, ou então, o valor sonoro só com vogais, por exemplo, o aluno escreve “OA” para representar a palavra “bota”.

Nível Silábico-Alfabético: nesse estágio de desenvolvimento da escrita, coexistem as formas de fazer corresponder os sons às formas: silábica e alfabética, o que induz a uma escolha de letras de forma ortográfica ou fonética. Algumas características desse nível são: escrita algumas vezes com sílabas completas e outras incompletas, escreve faltando letras, alterna escrita: silábica com alfabética, escreve como fala e como ouve. Ex: CSA (casa) – TOMT (tomate) – BUNCA (boneca) 

Nível Alfabético: a criança começa a perceber que a palavra está relacionada com os aspectos sonoros da fala. Separa oralmente as sílabas das palavras e corresponde uma letra a cada som emitido, ou seja, cada parte corresponde a uma sílaba. Escreve além do alfabético, mas ainda não domina as normas ortográficas da língua. Ex: POFESSORA (professora) – KAMELU (camelo).

No processo de construção da aprendizagem da língua escrita, do ponto de vista da Teoria da Psicogênese, deve considerar que:

1. As hipóteses conceituais provisórias que as crianças fazem sobre a escrita não são “erradas”, “falta de conhecimento” ou até mesmo patológica. Devem ser consideradas como “erros construtivos”, já que é um processo de atividade constante em que a criança está elaborando hipóteses e alargando seu campo de conhecimento linguístico.
2. O reconhecimento das hipóteses de escrita não deve se transformar em um recurso para categorizar as crianças, mas sim estar a serviço de um planejamento de atividades que considere as suas representações e atenda suas necessidades de aprendizagem.
3. A questão dos diferentes níveis, nas salas de aula de alfabetização, deixa de ser característica negativa para assumir papel de importância no processo ensino aprendizagem, onde a interação entre os/as alunos/as é fator imprescindível.
4. A criança depois que se apropria da escrita alfabética, enfrenta inúmeros problemas ortográficos e morfossintáticos, considerados normais para a fase em que se encontra. Porém, cabe ao professor fazer intervenções significativas para que ela se aproprie da escrita ortográfica.


REFERÊNCIAS

FERREIRO, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Editora: Artmed, 1999.

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Para refletir: 

O pensamento construtivista de Emília Ferreiro sobre a alfabetização no Brasil, apesar de não se saber, ao menos formalmente, de que os resultados de sua pesquisa tenham sido refutados em seus fundamentos e resultados, vêm sendo apresentadas muitas críticas, relacionadas, sobretudo, com a dúvida a respeito do papel do ensino, da escola e do professor.


Deixe seu comentário, compartilhe o que pensa sobre a Psicogênese da Língua Escrita.
Abraço, Carla Melo.



10/07/15

10 dicas para aplicar uma atividade construtiva nas turmas em fase de alfabetização.

Boa tarde a todos!

No blog já fiz um post sobre: Dicas para identificar os níveis de escrita, lembram? Para acessar é só clicar no link. Nele contém alguns exemplos de atividades diagnósticas. Nesse sentido, quero compartilhar com vocês uma atividade sobre análise linguística que é um ótimo instrumento para o professor alfabetizador utilizar como: atividade/diagnóstico. Agora, veremos algumas etapas para sua aplicação em sala sala de aula.

Primeiro: Além de ser uma atividade construtiva no processo de aquisição de escrita do aluno, para o professor também é uma ferramenta diagnóstica.

Segundo: O professor pode levar essa atividade para sala de aula quantas vezes achar necessário, adaptando-a e modificando-a para os diferentes níveis de escrita dos seus alunos.

Terceiro: Para trabalhar com essa atividade é importante o estudo de algum texto pela turma, ou seja, o professor pode utilizar o conteúdo/texto que já está trabalhando em sala de aula, posteriormente será feito uma lista a partir de cinco palavras, ou o professor dita as palavras ou escreve no quadro (minha sugestão é que na primeira vez escreva no quadro, e com o tempo vá aumentando o grau de dificuldade).

Quarto: Agora dê um tempo para a turma elaborar suas hipóteses.

Quinto: Faça a correção das palavras com a turma, perguntando coletivamente, enfim, nesse momento a dinâmica dos professores é singular, se for utilizar como diagnóstico, peça que cada aluno entregue na medida que for concluindo a atividade.

Sexto: Nessa análise de palavras que compartilho no blog, o aluno vai ter que sinalizar: letra inicial, letra final, consoantes, vogais e número de letras. Caro(a) professor(a), fique à vontade para modificar o quadro, pode retirar colunas, pode acrescentar mais colunas, exemplo: separação silábica, número de sílabas e etc. Enfim, isso dependerá das especificidades de cada turma.

Sétimo: Na correção da atividade faça perguntas aos seus alunos, tais como: como se escreve "essa palavra" com que "letra começa", posso trocar por "essa letra", eu indico essas indagações porque este é o momento em que o aluno entra em conflito cognitivo, visto que ele confrontará sua hipótese com a escrita correta da palavra.

Oitavo: Pode editar o quadro de análise de palavras porque está no word e para baixar o arquivo faça uma conta no slideshare. É fácil e rápido.

Nono: Essa atividade é uma sugestão que pode auxiliar o professor no planejamento das situações de ensino e aprendizagem. Portanto é necessário adaptar conforme os diferentes contextos e realidade.

Décimo: Para obter um melhor resultado com a sua turma, desenvolva a atividade em vários dias e em diferentes momentos, para que os alfabetizandos conquistem uma aprendizagem significativa.

Qualquer dúvida deixe seu recado no blog.




Até o próximo post, pessoal.
Abraços, Carla Melo.



Avaliações para o 2º ano (séries iniciais).

Bom dia a todos!

Hoje vou compartilhar algumas avaliações que desenvolvi para o 2º ano nas seguintes disciplinas:

*Português
*Matemática
*História
*Geografria
*Ciências

Minhas dicas:

*Essas avaliações são ótimas para fim de trimestre;
*Algumas questões é preciso adaptar para a sua região, tais como: história do município;
*O conteúdo geral das avaliações faz parte do que estava trabalhando naquele momento com os alunos, certamente será necessário trocar algumas questões.
*É possível editar o texto porque está no word.
*Para baixar os arquivos faça uma conta no site slideshare. É rápido e fácil.









Até o próximo post, pessoal.
Abraços, Carla Melo.  


15/05/15

Reflexão sobre: Método Fônico

Entrevista com Fernando César Capovilla (professor de Neuropsicologia da USP e especialista em distúrbios da comunicação e da linguagem).

Alfabetização no Brasil: uma metodologia ultrapassada - Fernando César Capovilla

Folha Dirigida — Como o sr. avalia nossos alfabetizadores?
Fernando César Capovilla — São pessoas dedicadas e que querem fazer um bom trabalho. No entanto, são impedidas de fazê-lo porque os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) do Ministério da Educação (MEC) estão completamente errados. Quando comparamos os PCN’s brasileiros com os britânicos, finlandeses, franceses ou americanos notamos uma disparidade extraordinária. Eles dizem para não fazer o que o Brasil faz. Existem dois métodos para alfabetização: o ideovisual e o fônico. O mundo inteiro, que usa a escrita alfabética, usa o método fônico porque uma revisão da literatura, de 115 mil estudos científicos publicados, provou que o método fônico é superior ao ideovisual, que continua sendo usado no Brasil e no México.
Folha Dirigida — O que é exatamente o método ideovisual? E o fônico? Qual a diferença entre eles?
Capovilla — No ideovisual o professor dá o texto para o aluno. O MEC recomenda, por meio dos seus PCN’s, que se dê o texto à criança (um texto, como eles dizem, complexo, rico), e afirma ainda que não há necessidade de ensinar a criança a converter letras em sons e sons em letras. Diz também que o professor deve aceitar tudo o que a criança escreve como uma produção legítima. O professor não pode ensinar, corrigir, treinar ou guiar a criança ao longo do processo. O MEC acredita que a criança aprende praticamente sozinha, que basta ter livros no entorno que ela vai aprender a ler e escrever, e isso é falso. O mundo inteiro descobriu, por meio de atividades científicas, que ler e escrever são atividades complexas que requerem um treinamento específico. São necessárias instruções sobre a relação entre as letras e os sons para que a criança possa codificar fonografenicamente (a partir da fala escrever) e decodificar grafonemicamente (a partir da palavra decodificar o texto e produzir fala). O método fônico evoca a fala, a mesma fala com a qual a criança pensa e se comunica. Por isso é um método muito natural.
Folha Dirigida — O Brasil sempre utilizou este método?
Capovilla — Antes a alfabetização era feita pelo método silábico. A partir dos anos 80, com o Construtivismo, foi introduzido o método ideovisual que produziu péssimos efeitos. O Brasil é recordista mundial de incompetência de leitura. O México está em segundo lugar e tanto um quanto outro seguem Emília Ferrero (psicopedagoga argentina), ou seja, o Construtivismo. O mundo inteiro deixou isso como sendo um mito, como sendo pernicioso para a criança. Pelos resultados se conhece o método. Quais são os resultados do método ideovisual empregado no Brasil? Incompetência. Por isso somos recordistas mundiais em incompetência.
Folha Dirigida — O método de alfabetização utilizado no Brasil está ultrapassado?
Capovilla — Ultrapassado, desacreditado e condenado pela França, Dinamarca, Itália, Suécia, Finlândia, Canadá, pelo mundo.
Folha Dirigida — O sr. poderia apontar diferenças entre os alfabetizadores brasileiros e os estrangeiros?
Capovilla — Os alfabetizadores dos países que investem em pesquisa científica para descobrir como melhor alfabetizar são formados para respeitar as etapas de desenvolvimento da linguagem da criança. Começam do simples para o complexo. O Brasil faz o oposto, começa do complexo. O MEC diz: dê um texto rico para a criança, um texto complexo. Isto é ridículo, é criminoso. O Ministério Público devia investigar o que acontece na educação desse país. Por isso que agora a Câmara dos Deputados vai começar a examinar a educação brasileira à luz do conhecimento científico internacional. O Brasil trata suas crianças como se elas fossem marcianas e, depois, elas são taxadas de incompetentes. Será que somos tão inferiores? Uma subraça? Não. A educação é que é inapropriada.
Folha Dirigida — Uma das críticas que se faz é que os jovens não sabem interpretar. Isto seria conseqüência do modelo de nossa alfabetização?
Capovilla — Exatamente. Quando se usa o método fônico se melhora a compreensão do texto. No método ideovisual, onde o professor dá logo o texto, o que acontece é que a criança tende a memorizar as palavras. Porém, o código alfabético não se presta à memorização fácil porque as letras são muito parecidas. Com isso, o que acontece é que a criança troca as palavras quando lê (paralexia) e troca palavras na escrita (paragrafia). Esses erros ocorrem porque o alfabeto não se presta à memorização visual. Ele tem que ser decodificado. Ele foi inventado pelos Fenícios para mapear sons da fala, por isso é eficiente. Se você sabe decodificar não precisa memorizar.
Folha Dirigida — Para introduzir este método seria necessário mudar a formação do professor?
Capovilla — Sim, mas isto é fácil. Quem opta por ser alfabetizador o faz por amor, por idealismo. Uma pessoa idealista é a primeira a se apaixonar pelo seu trabalho quando ele funciona. O método fônico produz resultados extraordinários. Em três meses uma criança está lendo o que não lia em dois anos sob o método ideovisual. As professoras que empregam o método fônico ficam maravilhadas com sua eficácia.
Folha Dirigida — É certo que quando o professor vê um resultado positivo ele se anima. Mas os docentes costumam apresentar resistências a mudanças…
Capovilla — Isto é humano. Mas quando eles experimentam a mudança, se ela for boa, acabam convencidos da importância de mudar.
Folha Dirigida — Há experiência no Brasil de alfabetização pelo método fônico?
Capovilla — Já temos pelo menos 40 escolas, em diversos estados, empregando o método no Brasil. Isto porque as escolas particulares, sensíveis à matrícula, se sentem pressionadas pelos pais que ameaçam cancelar o registro dos seus filhos se elas não produzirem bons resultados. Isto está acontecendo em São Paulo e certamente acontece no Rio. As escolas cujos egressos não passam para universidade pública gratuita são questionadas pelos pais. Preocupadas, algumas escolas perceberam que pelo método ideovisual as contradições e problemas se acumulavam ao longo das séries. Em São Paulo, as escolas que empregavam o Construtivismo viam os seus alunos irem para as universidades pagas. Pressionadas pelos pais começaram a procurar eficiência e descobriram no método fônico o caminho.
Folha Dirigida — O sr. disse que o professor tem que ensinar, tem que avaliar. Como o sr. vê a aprovação automática?
Capovilla — Isto está completamente errado. O objetivo dessa política é melhorar o fluxo, diminuir a disparidade entre a idade e a série escolar. Pelo Brasil existem 8 milhões de crianças fora da série. Isto é resultado de evasão ou repetência, ou seja, fracasso escolar. Nos dois casos isto ocorre porque a escola não está ensinando. Se passarmos a ensinar com eficiência, as crianças aprenderão e serão aprovadas sem precisar de progressão continuada ou do sistema de ciclos. O sistema de ciclos é ruim porque, se a criança não aprende, isto só será percebido daqui a dois, três, quatro anos. Então está se perdendo o que é mais precioso para o desenvolvimento humano, que é tempo. A janela de desenvolvimento da linguagem é até 6 anos, e desperdiçar este tempo prejudica fortemente a criança. Da mesma forma a alfabetização. Se ela não for feita na idade apropriada, que é 6, 7 anos, até 8 anos, na pior das hipóteses, ela vai ser feita num custo muito maior e com resultados muito menores. O método ideovisual não ensina, ele queima o tempo da criança.
Folha Dirigida — O sr. diz que para aprender é necessário decodificar. O que é decodificar?
Capovilla — É converter os grafemas em fonemas. Aprender a pronunciar a palavra em presença da escrita. Quando pensamos em palavras usamos nossa voz interna. Quando lemos em voz baixa escutamos nossa voz. Isto é o processo fônico: a invocação da fala interna em presença do texto. O método ideovisual desestimula esta fala interna. Ele tenta estimular a leitura visual direta, portanto, a memorização. Só que não é possível memorizar ideograficamente todas essas palavras. A forma correta é aprender a decodificar. Quando fazemos isso, naturalmente se consegue produzir a fala e entender o que se está lendo.
Folha Dirigida — Como o sr. avalia a qualidade da nossa educação?
Capovilla — A educação brasileira é a pior do mundo.
Folha Dirigida — Na sua visão, este resultado negativo tem relação com nosso processo de alfabetização?
Capovilla — Eu não acho, eu sei que sim! Pesquisas mostram isso, não é questão de discussão. Nos Estados Unidos houve a guerra de leitura. De um lado os cientistas que defendiam o método fônico e, do outro, os pedagogos que defendiam o ideovisual. O governo, consciente da importância da educação – sabia que era importante formar bem as crianças e jovens americanos para continuar à frente dos outros países – e dividido na briga entre cientistas e pedagogos, resolveu chamar um painel de especialistas para analisar 115 mil artigos comparando os dois métodos. Eles descobriram que o fônico era infinitamente mais eficiente do que o ideovisual.
Folha Dirigida — Se este método é tão superior e seus resultados positivos amplamente conhecidos, por que o MEC ainda não os usa?
Capovilla — É fácil entender isso. Os anos 80 foram anos de contestação ao governo militar. As esquerdas começaram a arregimentar as massas. Tanto que, hoje, temos um líder operário como presidente. No Brasil, houve uma reação muito forte aos governos militares. Foram anos de espontaneismo, de liberdade civil. Mas as pessoas acabaram confundindo as coisas. Confundiram ensino sistemático com ensino militarizado, clareza conceitual e especificação de currículo, de objetivos, de competências da criança com autoritarismo. Dessa forma, acharam que deixando a criança sozinha ela iria se desenvolver maravilhosamente. “O bom selvagem”, de Rousseau. É uma visão romântica maravilhosa, mas se o objetivo é tornar a criança competente, pesquisas mostram que este modelo não funciona. A própria Emília Ferrero, a ideóloga desta teoria construtivista que ainda domina o Brasil com garras de aço que nos levam à incompetência, nos seus estudos em psicogêneses da língua escrita constatou uma diferença entre crianças pobres e ricas no seu método. As crianças ricas chegavam ao nível 5, 6 de aprendizagem. As pobres paravam no nível 3. E olha que as crianças pobres de Emília Ferrero eram as nossas crianças de classe média. O melhor método é o que permite às crianças mais pobres um aprendizado tão bom quanto o recebido pelas crianças das melhores classes sociais. Isto porque a escola tem a função de justiça social. Ao aumentar a competência da criança, a escola permite a ascensão social.
Folha Dirigida — O modelo que temos hoje aumenta a desigualdade social?
Capovilla — Exatamente, porque se a escola brasileira não ensina, as crianças vão fracassar, se evadir, repetir de ano. Os pais, vendo isso, têm duas opções: os ricos contratam tutor, compram livros. Já os pais pobres, operários, não podem ajudar os seus filhos. Sob o construtivismo os filhos dos pobres se tornam mais pobres, e os dos ricos mais ricos, porque eles têm profissionais para lhes dar o que a escola está sonegando.
Folha Dirigida — Falamos que a alfabetização no Brasil é feita de forma incorreta. E com relação à formação dos professores? Como o sr. vê esta questão?
Capovilla — Piaget fazia a seguinte pergunta: Por que o professor tem tão má reputação (no sentido de respeito) em relação a outras profissões? Por que um médico é respeitado e o professor não, se educação e saúde caminham lado a lado? Segundo ele, isso ocorre porque o professor não faz pesquisa, não descobre por si mesmo o que funciona e o que não funciona. Ele não conquista o respeito intelectual como as outras profissões fazem.
Folha Dirigida — O sr. acha que a formação do professor alfabetizador deve ter preocupação com a pesquisa?
Capovilla — Sem dúvida. Se o professor tiver uma formação de metodologia de pesquisa ele poderá publicar artigos, livros, trocar idéias em congressos.
Folha Dirigida — É comum se falar na desvalorização do professor e atribuir isto à questão salarial. O sr. diria que não é só isso, mas sim que ele deve se impor enquanto bom profissional?
Capovilla — Para o professor ser valorizado ele tem que se valorizar, ou seja, tem que obter resultados melhores do que tem obtido. Quando alguém obtém bons resultados se sente bem, se valoriza, o auto-respeito aumenta e ele pode falar de igual para igual com qualquer pessoa. Neste caso, o professor pode conseguir financiamento para pesquisa e melhorar o orçamento. Ele deve fazer pós-graduação, que ensina metodologia de pesquisa. Na própria faculdade deve fazer estatística, noções de pesquisa, experimentos para que possa descobrir o que é melhor para as crianças e não ficar dependendo do cientista. Deve especializar-se em descobrir como melhorar o desempenho das mais variadas crianças. Hoje, a escola tem que incluir as crianças portadoras de necessidades especiais, e isto demanda pesquisa.
Folha Dirigida — Os docentes estão preparados para lidar com estes alunos?
Capovilla — Os meus professores estão. O que faço na educação especial faz com que as crianças possam ir para a sala de aula. Se dermos aos professores os instrumentos que eles precisam para avaliar estes alunos e às crianças os instrumentos para que possam aprender a ler, escrever e fazer o dever de casa a inclusão é possível. Estou fazendo pesquisas sobre isso há 25 anos e tenho todos os instrumentos. Basta o governo querer usar. Sou da USP, universidade pública e gratuita. Então, o instrumento do meu trabalho como pesquisador deve estar nas mãos do professor e compete ao governo pegar este material e dar para o professor. Mas o governo fala muito e deixa o professor desassistido. Não dá ao professor instrumento de avaliação, não dá a criança instrumentos de comunicação e espera que ela seja incluída. Como fazer isso? Por milagre? Não, por meio de pesquisa científica, de implantações tecnológicas.
Folha Dirigida — A exigência de que os professores tenham nível superior vai melhorar a qualidade do ensino?
Capovilla — Demandar educação é a tendência universal. Cada vez mais educação, sem dúvida, é bom. Agora é preciso avaliar a qualidade da formação universitária que vai ser dada a estes profissionais. Esta formação deve necessariamente incluir metodologia de pesquisa científica, estatística, como descobrir o que fazer. Assim, o educador brasileiro não vai depender dos outros para lhe dizer o que fazer. Ele poderá observar a melhor forma de alfabetizar.
Folha Dirigida — O Sr. é psicólogo, atuava numa clínica de reabilitação de leitura. Como caminhou para a pesquisa na área educacional?
Capovilla — Comecei como clínico. Tratava de distúrbios de leitura, mas minha clínica não parava de receber crianças. Percebi que uma parte delas tinha um problema de natureza biológica que chamamos de dislexia (distúrbio de aquisição de leitura). Crianças dislexas existem no mundo inteiro, mas no Brasil a taxa parecia ser extraordinariamente maior. Quando avaliava percebia que muitas crianças não eram dislexas, não tinham histórico de dislexia na família. Então, como elas tinham na escola um desempenho tão próximo de dislexia? Na análise descobrimos que os casos ocorrem em crianças de uma mesma turma, de uma mesma escola. O que este país está fazendo? Enchendo as clínicas de reabilitação, públicas e gratuitas, porque a escola não está alfabetizando.
Folha Dirigida — Por isso o sr. resolveu investir na pesquisa nesta área?
Capovilla — Eu já fazia pesquisa. Isto me encaminhou para uma atuação política nas escolas. Vi que o problema não era clínico, e sim educacional. Que é necessário atuar preventivamente para fazer justiça social. Se a escola fizer o seu trabalho, só vai para a clínica quem precisa de tratamento. O Brasil se dá ao luxo de sacrificar, de crucificar as suas crianças no altar da incompetência para adorar a deusa, Emília Ferrero, dos construtivistas. Isto é um crime.

Espero que apreciem a reflexão, porque quando falamos em Alfabetização o tema é muito sério. É para pensar! Abraços, Carla.